terça-feira, 16 de outubro de 2018

Segunda edição do Seminário Eixos Temáticos em Comunicação e Religião acontece em 23 de outubro

A segunda edição do nosso Seminário Eixos Temáticos em Comunicação e Religião, com vistas à elaboração do Dicionário em Comunicação e Religião, uma parceria UNASPRESS-MIRE/GP Intercom Comunicação e Religião, acontece neste 23 de outubro de 2018, terça.

A proposta agora é concluir a definição dos eixos temáticos do Dicionário e a indicação dos verbetes a serem redigidos. Veja aqui os resultados e os encaminhamentos do primeiro seminário em agosto passado.

O Seminário acontecerá no dia 23 de outubro, terça-feira, das 10 às 16h, no Centro Cultural Marques de Melo/Intercom SP, à Rua Joaquim Antunes, 705, Pinheiros, São Paulo, próximo à estação do metrô (Linha Amarela) Fradique Coutinho.

Programa

10h – Abertura e memória do processo – Profa. Magali Cunha
10h30 – O estado da arte da produção de conhecimento em Comunicação e Religião (Dados do Banco de Teses e Dissertações da CAPES) – Profs. Jorge Miklos, Maurício Ribeiro da Silva e Ronivaldo Moreira
11h30 – Discussão já indicando possíveis eixos (sete, oito temas que aglutinem metodologias, bases teóricas do estado da arte + “córregos” por onde pesquisas não tenham passado + formas de espiritualidade não são consideradas religiões e desenvolvem processos comunicacionais) – inspiração: Enciclopédia Digital Theologica Latino-Americana, http://theologicalatinoamericana.com/

12h30 – Almoço

14h – Retomada dos eixos e trabalho em grupos para indicação dos temas relacionados a eles – futuros verbetes
15h30 – Encaminhamentos (Comissão Editorial, Cronograma de Trabalho)

Transmissão ao vivo interativa para quem não pode participar do momento presencial tão rico:

Parte 1 - (das 10h às 12:30h): https://www.youtube.com/watch?v=-OcF4-xPygg

Parte 2 - (das 14h às 16h): https://www.youtube.com/watch?v=hiTC3kfV0Qg

domingo, 19 de agosto de 2018

Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião tem 29 trabalhos em oito sessões no Congresso Nacional da INTERCOM


O Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião, criado, em dezembro passado, pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM), estreará no Congresso Nacional da associação, que será realizado em Joinville (UNIVILLE), de 3 a 8 de setembro próximo. Veja aqui a programação geral do Congresso.

Os Grupos de Pesquisa terão suas sessões de 5 a 7 de setembro. O Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião, ao qual o Grupo de Estudos MIRE está vinculado, terá nove sessões nesses dias, distribuídas em subtemas: Religiões no Ciberespaço, Religiões e Midiatização, Comunicação, Religiões e Gênero, Comunicação e Evangélicos, Comunicação e Catolicismo. Foram 29 trabalhos aprovados, de 21 instituições, de 10 estados de todas as regiões do Brasil e da França. Os trabalhos mostram um quadro dos temas que hoje têm sido alvo do estudo e da pesquisa em comunicação e religião no nosso país. Veja aqui o programa do GP e os temas dos trabalhos:

Quarta, 5 de setembro
14h-16h – Introdução e Mesa de abertura. Coordenadora: Magali Cunha

14h - Introdução
14h30 - A pesquisa em Comunicação e Religião no Brasil: trajetória e perspectivas - Magali Cunha
15h - A contribuição do Prof. José Marques de Melo a esta interface de estudo e pesquisa: um testemunho - Joana Puntel
15h20 - A contribuição do novo GP Comunicação e Religião da Intercom: perfil dos trabalhos (temas, regiões, instituições, níveis) - Ricardo Alvarenga

15h40 – Intervalo

16h-18h – Sessão 1 – Religiões no Ciberespaço – Grupo 1. Coordenadora: Viviane Borelli

Aline Roes Dalmoli (UFSM) - Felicidade e Religiosidade no Youtube: O Ethos das Novas Formas de Crer na Sociedade Midiatizada
Leandro Ortunes (PUC SP) - Pastores Midiáticos: Influenciadores digitais ou apenas pastores?
William Costa da Silva (UFAM) – Presença da Igreja Pentecostal Deus é Amor no Youtube: um olhar a partir dos ecossistemas comunicacionais
Leticia Carolina dos Santos Moreira Pinho e Andrea Medrado (UFF) - Celebridade, Influenciador Digital ou apenas um Líder Religioso na Rede? A Imagem do Papa Francisco construída no Instagram

Quinta, 6 de setembro
9h(10)-10h – Sessão 2: Religiões no Ciberespaço – Grupo 2. Coordenador: Ricardo Alvarenga

Rogério Miguel (PUC Minas) - Considerações sobre o discurso religioso em ambientes digitais: uma possibilidade de diálogo segundo Mikhail Bakhtin
Gilliard Zuque da Fonseca e Maria Nazareth Bis Pirola (UFES) - Expressões da Fé: uma análise semiótica dos efeitos de sentidos e valores presentes nos comentários de transmissões religiosas no Facebook
Hudson Ramos Santos das Chagas e Karla Patriota (UFPE) - Experiências Religiosas de Comunidade no Ciberespaço: O padre Reginaldo Manzotti e sua comunidade de fiéis-fãs no Facebook
Leonardo Santana dos Santos Rodrigues e Jessé Santa Brígida (UFPA) – Ser Jovem para a Comunidade Católica Shalom: Análise da Página Juventude Shalom Belém

10h55-12h – Sessão 3 – Religiões e Midiatização – Grupo 1. Coordenador: Patrícia Garcia 

Herivelton Regiani e Viviane Borelli (UFSM) – A Natureza Midiática da Religião e o Processo de Midiatização da Sociedade
Juliana Souto (UFPE) – Metanoia e Padre Marcelo Rossi: A fé a partir de uma narrativa terapêutica

Almoço

14h(10)-15h50 – Sessão 4: Religiões e Midiatização – Grupo 2. Coordenador: Leandro Ortunes

João Damásio (UNISINOS) – Preto Velho e Chico Xavier em exposição: Referências midiáticas e marginais nos museus espíritas
Bruno Anselmo da Silva e Karla Regina Macena Pereira Patriota (UFPE) - Comida de verdade: uma heroica tentativa de superação da morte
Carlos Eduardo Bertin (UMESP) – Aproximações entre o Jornalismo Cultural e a Religião no jornal (budista) Brasil Seikyo

15h50 – Intervalo

16h10-18h – Sessão 5: Comunicação, Religiões e Gênero – Grupo 1. Coordenadora: Aline Dalmolin

Kelber Pereira Gonçalves (Universidade de Tours, França) – Os Cadernos de Oração e a Mise-en-scène de uma Feminilidade Ingênua através da Plataforma YouTube
Emanuelle Gonçalves Brandão Rodrigues e Karla Regina Macena Pereira Patriota (UFPE) – A fé que empreende, o discurso que empodera: reflexões sobre a narrativa de autoajuda das lideranças femininas da Igreja Universal
Julia Conceição Ferreira (IBMR Laureate) – Convergência e continuidade no pensamento da relação Igreja e Comunicação na sociedade contemporânea

Sexta, 7 de setembro
9h(10)-10h50 – Sessão 6:  Comunicação, Religiões e Gênero – Grupo 2. Coordenadora: Joana Puntel

Patrícia Santos Machado (UMESP) – Nossa Senhora do céu e da terra: imaginário, religião e a comunicação visual do feminino no cinema
Patricia Garcia Costa (UMESP)  – As Youtubers Evangélicas e as Relações de Identificação e Projeção no Imaginário social da Geração C
Isabella Pichinguelli (UNISO) – Segregação Cultural nas Imprensas Gospel e Secular: Representações da Religiosidade de Baby do Brasil

10h55-12h – Sessão 7:  Comunicação e Evangélicos. Coordenadora: Patrícia Machado

Guibson Dantas (UFAL) – Descortinando o Sagrado: Um Testemunho sobre as Dificuldades e Potencialidades do Estudo de Recepção de Programas Televisivos Religiosos
Andréa Basílio Da Silva Chagas e Dolores Cristina Gomes Galindo (UFMT) – Como Ovelhas no Reino de Deus - Sangue, dinheiro e marketing como engrenagens de uma igreja-empresa
Carolina Gois Falandes e Priscila Ferreira Perazzo (USCS) - A Religião como Fator de Ressocialização aos Olhos da Mídia

14h(10)-15h50 – Sessão 8: Comunicação e Evangélicos. Coordenador: Carlos Bertin 

Bruno Menezes Andrade Guimarães (UFMG) - Em nome da moral e dos bons costumes: notas para se pensar pesquisas em comunicação, política e bancada evangélica
Mariana Corsetti Oselame (UNIRITTER) – Uma noite na Brasa Church: uma etnografia do culto às emoções
Carolina Cavalcanti Falcão (UFPE) – Nem Todo Evangélico é Conservador (e Broadcasting): notas sobre o protagonismo religioso no Brasil

15h50 – Intervalo

16h10-18h – Sessão 9: Comunicação e Catolicismo. Coordenador: Kelber Pereira

Joana Terezinha Puntel (SEPAC) – Convergência e continuidade no pensamento da relação Igreja e Comunicação na sociedade contemporânea Luis Henrique Marques (UNIP) – Diálogo como metodologia para a comunicação e relações humanas, segundo o carisma do Movimento dos Focolares
Ricardo Costa Alvarenga (UMESP) – O percurso histórico dos processos de comunicação na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: criação e evolução da Comissão Episcopal de Opinião Pública
Douglas Nascimento e Karla Patriota (UFPE) – Adeste Fideles: um diagnóstico do retorno à Tradição Católica e os novos fenômenos de recatolização



MIRE/INTERCOM discute eixos temáticos em comunicação e religiões


Eixos Temáticos em Mídia e Religião foi o tema do Seminário realizado pelo Grupo de Estudos Mídia, Religião e Cultura (MIRE)/Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião, em 14 de agosto, nas dependências do Centro Cultural Marques de Melo/INTERCOM SP. A atividade representou a primeira etapa do projeto de edição do Dicionário em Mídia e Religião, em parceria com a UNASP/UNAPRESS. 


O Seminário foi marcado pela qualidade, dado o alto nível das reflexões e discussões temáticas que emergiram, estimuladas pelas apresentações do Prof. Jorge Miklos (UNIP), com as ênfases dos estudos em mídias, da Profa. Eliane Moura (UNICAMP), com as ênfases dos estudos em religiões, pelas indicações para discussão pela Profa. Joana Puntel (SEPAC). 

A qualidade foi garantida ainda pelo engajamento no debate da parte dos demais 23 participantes (15 presentes e 8 a distância, com interação pela transmissão ao vivo) de 14 instituições: PUC Campinas, PUC MInas, UENP, UFBA, UFMG, UFOP, UMESP, UNASP, UNIP, UNISINOS, UNISO, Universidade Mackenzie, Universidade de Tours/Paris-França, Faculdade Paulista de Comunicação. 

A densidade e a riqueza da reflexão levaram à projeção de uma segunda edição do Seminário, em 23 de outubro próximo, para se concluir a definição dos eixos temáticos do Dicionário e indicação dos verbetes a serem redigidos. 

A transmissão ao vivo do seminário foi gravada e pode ser assistida por quem não conseguiu participar ou "repassada" por quem esteve, por meio dos links: parte da manhã; parte da tarde. O prof. Jorge Miklos compartilhou a apresentação de Powerpoint (ver aqui).

Resultados;Orientações:

- Trabalhar com ênfase em Comunicação e não limitar ao estudo das Mídias.
- Os temas dos GTs da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPOS) e das edições da Conferência Brasileira de Comunicação Eclesial (ECLESIOCOM, 2006 a 2017) podem orientar a construção de eixos temáticos em comunicação.
- Trabalhar com Religião no plural = Religiões, dada a pluralidade que a temática envolve. 
- Orientar o trabalho por um conceito de religiões que inclua a noção de grandes narrativas que movem as sociedades com força que vai além do que a lógica materializadora diz. Isto significa levar em conta crenças e práticas (a inter-relação entre ortodoxia e ortopráxis) e buscar os temas relevantes a partir destas concepções. 
- Relacionar comunicação e religiões significa perguntar pelo lugar e qual é a produção de sentido? as narrativas criadoras que produzem cultura. A comunicação é a forma de socializar essas narrativas. E perguntar ainda pelo momento histórico que estamos vivendo que desafia as narrativas e os sentidos que elas produzem.
- Levar em conta como as pessoas se relacionam com as religiões e o religioso. Para elas "é tudo a mesma coisa. O que conta é o que ajuda" ("Andar com fé eu vou que a fé não costuma faiá..", como canta Gilberto Gil), 
- O  Dicionário deve ser uma obra de referência para quem ingressa na reflexão em comunicação e religiões (desde estudantes da graduação até pesquisadores/as experientes que se deparam com a necessidade de abordar o tema).
- O Dicionário deve se localizar no contexto brasileiro.
- A introdução ao Dicionário deve indicar que é uma obra não conclusiva diante da permanente dinâmica que envolve tanto a comunicação quanto as religiões, sem deixar de identificar os eixos fundamentais para compreensão desta interface de estudos e apontar para o que está em permanente transformação.
- O Dicionário deve conter eixos temáticos (partes) e em cada um deles ter uma série de verbetes em quantidade que não seja muito grande, ou seja, em número mais objetivo/reduzido, com conteúdo denso, em extensão de texto equilibrada que não trate os temas de forma breve e nem muito prolongada (modelo Dicionário de Comunicação da ESPM).
- Produzir também uma versão on-line/digital do Dicionário.
- Considerar a noção de “religiografia” (termo criado pelo Prof. Flávio Senra, PUC Minas) – cartografia do que se produz em Ciências da Religião, no caso. Ideia para demarcação de território do que os pesquisadores da temática produzem.
- Possíveis desdobramentos do projeto: 1) criação de uma série/coleção Comunicação e Religião, com aprofundamento dos eixos temáticos para estudos mais densos sobre a interface; 2) criação de um Observatório em Comunicação e Religião

Encaminhamentos:

- A publicação será provisoriamente intitulada Dicionário Brasileiro em Comunicação e Religiões. Levar em conta o plural de religião e o conectivo “e” para não se perder de vista que não é uma obra sobre dois temas de estudo e pesquisa mas sobre as conexões entre eles e os temas decorrentes.
- A obra será orientada como uma obra de referência, um produto editorial que atenda às necessidades de “entrada no tema” da parte de estudantes de graduação, pós-graduação, pesquisadores júnior e sênior, profissionais de mídias e demais pessoas interessadas. Daí a necessidade de os eixos atenderem às grandes carências, aos conceitos-chave consolidados e emergentes em relação à interface “comunicação e religiões”.
- Prof. Jorge Miklos apresentará aprofundamento do estudo exposto no seminário, com o estado da arte do levantamento que fez. Concluirá este trabalho com a ajuda do Prof. Maurício Ribeiro (UNIP).
- Cada pessoa do grupo – até o segundo seminário em  outubro deve “garimpar” os temas para demarcar os eixos. Construir uma lista de temas metodologias, bases teóricas para buscar os eixos e identificar também os “córregos” por onde a pesquisa não tenha passado. Incluir as formas de espiritualidade que não são consideradas religiões e desenvolvem processos comunicacionais.
- Para possível  versão on-line/digital do Dicionário, verificar como exemplo a Enciclopédia Digital Theologica Latino-Americana, indicada pelo Prof. Moisés Sbardelotto, com destaque para o link da "História", que ajuda a entender o porquê do projeto e, principalmente, alguns detalhes sobre o pro cesso de produção e os interagentes envolvidos http://theologicalatinoamericana.com/
- Profa. Eliane Moura acompanhará colegas da UNASP e Prof. Lindolfo a uma visita ao setor de Dicionários e Enciclopédias da Biblioteca da UNICAMP para observação de modelos.
- Considerar a possibilidade do uso de imagens no material publicado, dada a relevância do tema da cultura visual religiosa, da devoção e da piedade visual.
- No segundo seminário em outubro, estabelecer uma comissão editorial e uma equipe executiva da publicação. 

A segunda etapa do Seminário, agora denominado Comunicação e Religiões, acontecerá em 23 de outubro também no Centro Cultural José Marques de Melo, INTERCOM/SP, das 10 às 16h. 



segunda-feira, 25 de junho de 2018

2º Colóquio de Pesquisa do MIRE em 2018 discute ex-votos, discurso da IURD e eleições 2018

Luis Erlin e Roni Moreira discutem suas teses com participantes
O 2º Colóquio de Pesquisa do MIRE/GP Comunicação e Religião da INTERCOM em 2018 aconteceu em 19 de junho nas dependências do Centro Cultural Marques de Mello/INTERCOM São Paulo. Nesta edição foram apresentadas e discutidas duas teses de integrantes do MIRE e uma pesquisa de campo empreendida pelo grupo.
Luis Erlin Gomes Gordo apresentou a tese de doutorado defendida em janeiro de 2018, na  UMESP, "Comunicação (I)Material com as divindades – tipos e formas de ex-votos na religiosidade popular", que introduz uma nova tipologia a partir de um inventário de ex-votos em espaços de devoção no Brasil, para além da fé popular católica (veja a apresentação aqui e a íntegra da tese pode ser acessada aqui).
"A simbiose discursiva entre religião e mercado: um estudo do discurso da Igreja Universal do Reino de Deus na perspectiva do consumo" foi a tese apresentada por Ronivaldo Moreira, também defendida na UMESP, em dezembro de 2017. O pesquisador mostrou e discutiu com o grupo de estudos como o mercado se vale do discurso religioso e como a religião se vale do discurso do mercado e tomou o discurso da IURD como base de análise (veja a apresentação aqui e a íntegra da tese pode ser acessada aqui).

Leandro Ortunes apresentou e discutiu via Hangout (foto) os resultados da pesquisa que ele coordenou, com assistência da pesquisadora Patrícia Garcia Costa, aplicada a participantes do evento Marcha para Jesus, em 31 de maio de 2018. A pesquisa foi uma parceria entre o MIRE/GP Intercom com o Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política (NEAMP) da PUCSP. Saiba mais sobre a pesquisa aqui (veja a apresentação no colóquio aqui).
Com o grupo presente e por Hangout foram 14 participantes que interagiram e construíram uma excelente reflexão com os pesquisadores, com indicações de publicações e outros desdobramentos. A transmissão da reunião está gravada e pode ser acessada aqui.

Os presentes ao Colóquio com o Prof. Leandro Ortunes no telão.
Outros cinco participantes interagiram on line.
O próximo encontro acontecerá em 14 de agosto, terça-feira, este um seminário em tempo integral: das 9h às 17h: "Eixos temáticos na interface mídias-religiões", como base para o início do projeto de produção do Dicionário em Mídia e Religião, uma parceria com a Unaspress (Editora do Centro Universitário Adventista - UNASP).



Entre Deus e o Voto

Evangélicos e as eleições de 2018

Pesquisa aplicada a participantes da Marcha para Jesus, 31 de maio de 2018

Realização: Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política (NEAMP) da PUCSP em parceria com o MIRE-GP Comunicação e Religião da INTERCOM

Coordenação: Prof. Leandro Ortunes (NEAMP PUCSP). Assistência: Profa. Patrícia Garcia Costa (UMESP/MIRE-INTERCOM)

 

Impressões gerais:


·         Foram entrevistadas 423 pessoas entre às 9h30 até 12h30 no período de concentração (antes da partida dos trioelétricos).  
·         Para garantir uma boa qualidade na amostra os entrevistadores buscaram diversos pontos da concentração em diferentes grupo de igrejas.
·         A Marcha é um evento gratuito, mas nem tanto. Para ficar na área VIP (próxima ao palco) era necessário desembolsar R$ 300,00 para adquirir o Ingresso de Cliente VIP.
·         As camisetas oficiais foram comercializadas pela igreja Renascer em Cristo pelo valor de R$ 35,00. No entanto, no local vendedores ambulantes vendiam as camisetas pelo valor entre R$ 20,00 a R$ 30,00. Alguns participantes da Marcha acusavam os vendedores de pirataria (o valor não ia para igreja), mas isso não impediu a venda de camisetas, faixas e bonés.
·         Os presentes na Marcha participaram da pesquisa de forma amistosa e sempre abertos até que: Um grupo de sete pessoas seguidores de Jair Bolsonaro (não evangélicos) se infiltraram na Marcha para Jesus e hostilizaram uma das entrevistadoras. A pesquisadora Marcella Nunes, não conseguiu concluir uma entrevista, pois o grupo criticava o questionário e os critérios de amostragem, além de realizar críticas infundadas contra a PUC-SP e o DataFolha, tornando o ambiente muito intimidador. Tudo isso foi filmado por meio dos celulares de algumas pessoas deste grupo, sendo uma delas pré-candidata a deputada estadual pelo PSL.  

Comentário do Prof. Leandro Ortunes: O episódio de hostilidade uma nítida demonstração de intolerância e uma tentativa de desmoralizar o outro de forma intimidatória. Tentou-se invalidar aquilo que não agrada, mesmo não sabendo o resultado final que a pesquisa pode ter.

1)   Dados sobre o Público:

2.1 Igrejas e Denominações


Denominações (separado)
N
(%)
Adventista
18
4,26%
Assembleia de Deus
71
16,78%
Batista
16
3,78%
Católicos
63
14,89%
Evangelho Quadrangular
14
3,31%
Igreja da Paz
6
1,42%
Internacional da Graça
7
1,65%
Luterano
5
1,18%
Metodista
0
0,00%
Outras evangélicas
139
32,86%
Plenitude
1
0,24%
Presbiteriana
4
0,95%
Renascer
65
15,37%
Universal do Reino de Deus
14
3,31%
Total
423

Comentário do Prof. Leandro Ortunes: Embora a Marcha para Jesus seja organizada pela Igreja Renascer em Cristo, a maioria dos participantes são de igrejas consideradas como comunidades independentes e das assembleias de Deus.

Denominações (categoria)
N
(%)
Protestantes
43
10,17%
Pentecostais
85
20,09%
Neopentecostais
93
21,99%
Outras igrejas (comunidades)
139
32,86%
Católicos
63
14,89%
Total
423
100,00%




Comentário do Prof. Leandro Ortunes: Agregando em categorias, a maior parte dos participantes é vinculada a comunidades independentes e a igrejas neopentecostais.

2.2 Sexo


Sexo
N
%
Feminino
243
57,45%
Masculino
180
42,55%
(vazio)
Total Geral
423
100,00%

2.3 Escolaridade


Escolaridade
N
%
Fundamental (Completo)
26
6,15%
Fundamental (incompleto)
21
4,96%
Médio (Completo)
148
34,99%
Médio (incompleto)
48
11,35%
Pós-graduação (Completo)
13
3,07%
Pós-graduação (incompleto)
5
1,18%
Superior (Completo)
66
15,60%
Superior (incompleto)
96
22,70%

2.4 Renda


Renda individual
N
%
Acima R$ 18.741,00
2
0,47%
Até R$937,00
51
12,06%
Desempregado
74
17,49%
Não informou (recusou)
71
16,78%
R$ 1.875,00 até R$ 2811,00
66
15,60%
R$ 2.812,00 até R$ 3748,00
40
9,46%
R$ 3749,00 até R$ 5.622,00
15
3,55%
R$ 5.623,00 até R$ 7.496,00
3
0,71%
R$ 9.371,00 até R$ 18.740,00
2
0,47%
R$ 938,00 até R$ 1.874,00
99
23,40%
(vazio)
Total Geral
423
100,00%


Comentário do Prof. Leandro Ortunes: 23,4% dos entrevistados possuem renda entre 1 e 2 salários mínimos e 17,49% estão desempregados. 12,06% até um salário mínimo. Com isso, podemos dizer que a Marcha para Jesus é formada por gente empobrecida, com baixos salários e baixa escolaridade (22.46% não chegaram a concluir o ensino médio, 34,99% concluíram o ensino médio, apenas 15% concluíram ensino superior). Na verdade, é um público que é o retrato do Brasil.




2)   Dados sobre política:


3.1 Intenção de votos (com Lula e sem Lula)


Preferência ideológica
%
Centro
28
6,62%
Direita
59
13,95%
Esquerda
37
8,75%
Não soube opinar
95
22,46%
Sem preferência
204
48,23%
(vazio)
0,00%
Total Geral
423

Preferência partidária
%
PV
2
0,47%
PMDB
4
0,95%
PP
2
0,47%
PSC
7
1,65%
PSDB
16
3,78%
PSL
2
0,47%
PRB
1
0,24%
PSOL
4
0,95%
PT
39
9,22%
Sem preferência
346
81,80%
(vazio)
0,00%
Total Geral
423

Comentário do Prof. Leandro Ortunes: A maior parte dos entrevistados não possui preferência por algum partido político (81,8%). Dos que possuem, o PT se destaca com 9,22% em primeiro lugar e o PSDB em segundo com 3,78%. Esta preferência partidária pelo PT se dá pela coesão dos eleitores que se consideram de esquerda. Nesta e em pesquisas anteriores, percebemos que a esquerda brasileira possui maior identificação com os partidos políticos, enquanto a direita atual está alinhada ao discurso do anti-político e, por isso, não gera coesão ou identificação partidária.


·         81% dos protestantes históricos (Batistas, Metodistas, Presbiterianos e Luteranos) declararam a intenção de votar em branco/nulo. É a maior concentração de votos em branco entre evangélicos.

Comentário do Prof. Leandro Ortunes: O movimento protestante histórico ou de missão sempre foi mais apático em relação à participação política. A pesquisa evidencia que, nestas eleições, há falta de identificação deste público com os atuais candidatos. Também nenhum dos pré-candidatos possui ligações com este segmento dos evangélicos.

·         No cenário eleitoral com uma possível candidatura de Lula, ele lidera as intenções de voto (20,09%), Bolsonaro em segundo lugar (15,6%) e Marina Silva em terceiro (5,9%)

Intenções de voto Com Lula
Alvaro Dias (Podemos)
4
0,95%
Ciro Gomes (PDT)
7
1,65%
Flávio Rocha (PRB)
1
0,24%
Geraldo Alckmin (PSDB)
17
4,02%
Guilherme Boulos (PSOL)
2
0,47%
Henrique Meirelles (PMDB)
4
0,95%
Jair Bolsonaro (PSL)
66
15,60%
João Amoêdo (Novo)
3
0,71%
Lula (PT)
85
20,09%
Manuela D'Ávila
0
0,00%
Marina Silva (Rede)
25
5,91%
N/S N/R
52
12,29%
Brancos / Nulos
157
37,12%
Total Geral
423
100,00%

·         No cenário eleitoral sem a candidatura de Lula, Bolsonaro lidera com 17,5%, Marina Silva em segundo (9,5%), Alckmin em terceiro (6,1%).


Intenções de voto (Sem Lula)
Alvaro Dias
3
0,71%
Ciro Gomes
13
3,07%
Fernando Haddad
10
2,36%
Flávio Rocha
1
0,24%
Geraldo Alckmin
26
6,15%
Guilherme Boulos
5
1,18%
Henrique Meirelles
4
0,95%
Jair Bolsonaro
74
17,49%
João Amoêdo
4
0,95%
Manuela D'Ávila
4
0,95%
Marina Silva
40
9,46%
N/S N/R
61
14,42%
Brancos / Nulos
178
42,08%
Total Geral
423
100,00%


Comentários do Prof. Leandro Ortunes: Percebemos que quando Lula não é candidato as intenções de votos para ele são pulverizadas em outros destinos. Os votos se dividem, em primeiro lugar, entre Brancos ou Nulos, em segundo para Marina Silva, em terceiro para Fernando Haddad, em quarto para Ciro Gomes. O PT não consegue direcionar os votos de Lula para Haddad, o que demonstra que a liderança carismática de Lula está acima da ideologia partidária.    
Lula e Bolsonaro se destacam entre os evangélicos de Comunidades independentes e Neopentecostais. Os membros da Igreja Renascer em Cristo (igreja patrocinadora da Marcha para Jesus e que permitiu pronunciamentos de Bolsonaro e Magno Malta em um dos trios elétricos) também se dividem entre Bolsonaro, Lula e Marina.
Importante destacar que o número de indecisos, e os votos brancos ou nulos é muito alto. Isso significa que o cenário pode se alterar drasticamente durante o início da campanha. 
   
Votos da Igreja Renascer (cenário com Lula)
Alvaro Dias (Podemos)
2
3,08%
Ciro Gomes (PDT)
1
1,54%
Flávio Rocha (PRB)
0
0,00%
Geraldo Alckmin (PSDB)
2
3,08%
Guilherme Boulos (PSOL)
1
1,54%
Henrique Meirelles (PMDB)
0
0,00%
Jair Bolsonaro (PSL)
12
18,46%
João Amoêdo (Novo)
0
0,00%
Lula (PT)
9
13,85%
Manuela D'Ávila
0
0,00%
Marina Silva (Rede)
5
7,69%
N/S N/R
7
10,77%
Brancos / Nulos
26
40,00%
Total
65
100,00%
Votos da Igreja Renascer (cenário Sem Lula)

Alvaro Dias
1
1,54%

Ciro Gomes
1
1,54%

Flávio Rocha (PRB)
0
0,00%

Fernando Haddad
3
4,62%

Geraldo Alckmin
5
7,69%

Jair Bolsonaro
13
20,00%

Marina Silva
6
9,23%

Manuela D’Ávila
0
0,00%

N/S N/R
9
13,85%

Brancos / Nulos
27
41,54%

Total
65
100,00%



3.2 Voto por renda (Lula, Bolsonaro, Marina, Alckmin) no cenário com Lula


Renda individual
Geraldo Alckmin
Jair Bolsonaro
Lula
Marina Silva
Acima R$ 18.741,00
0,00%
3,03%
0,00%
0,00%
Menor que 1 sm
23,53%
9,09%
14,12%
0,00%
Desempregado
0,00%
15,15%
21,18%
32,00%
Não informou
17,65%
13,64%
15,29%
8,00%
R$ 1.875,00 até R$ 2811,00
29,41%
16,67%
15,29%
12,00%
R$ 2.812,00 até R$ 3748,00
11,76%
6,06%
9,41%
12,00%
R$ 3749,00 até R$ 5.622,00
5,88%
7,58%
2,35%
0,00%
R$ 5.623,00 até R$ 7.496,00
0,00%
1,52%
0,00%
4,00%
R$ 9.371,00 até R$ 18.740,00
0,00%
1,52%
1,18%
0,00%
R$ 937,00 até R$ 1.874,00
11,76%
25,76%
21,18%
32,00%
Salário mínimo referencia (2017)
Comentário do Prof. Leandro Ortunes: Lula e Bolsonaro possuem quase o mesmo público de intenções de voto por renda. Lula concentra intenções de votos entre desempregados (21,18%) e pessoas que ganham até 2 salários mínimos (21,18%). Bolsonaro concentra intenções de votos entre pessoas que ganham até 2 salários mínimos (25,76%) e de 2 a 3 salários mínimos (16,67%). Há um pequeno deslocamento positivo na renda entre os possíveis eleitores de Lula para Bolsonaro. Lula destaca-se entre os desempregados frente a todos outros candidatos. Geraldo Alckmin (na disputa com Lula) destaca-se frente a todos outros candidatos entre pessoas com de 3 até 4 salários mínimos.

3.3 Voto por Escolaridade (Lula, Bolsonaro, Marina, Alckmin) no cenário com Lula


Votos por Escolaridade
Geraldo Alckmin
Jair Bolsonaro
Lula
Marina Silva
Fundamental (Completo)
0,00%
1,52%
8,24%
12,00%
Fundamental (incompleto)
0,00%
3,03%
7,06%
8,00%
Médio (Completo)
47,06%
36,36%
36,47%
24,00%
Médio (incompleto)
17,65%
10,61%
10,59%
8,00%
Pós-graduação (Completo)
5,88%
3,03%
4,71%
0,00%
Pós-graduação (incompleto)
5,88%
0,00%
1,18%
0,00%
Superior (Completo)
17,65%
24,24%
12,94%
12,00%
Superior (incompleto)
5,88%
21,21%
18,82%
36,00%

Comentário do Prof. Leandro Ortunes: Lula, Bolsonaro e Alckmin se destacam entre os evangélicos que concluíram o ensino médio. Marina Silva se destaca entre os que possuem superior incompleto (jovens universitários, 36%). É interessante observar que Bolsonaro e Lula possuem público com renda e escolaridade semelhante. Certamente o que os diferem (os eleitores) são as pautas em debate no jogo clássico da disputa entre Direita e Esquerda. Neste cenário, não podemos dizer que é uma disputa de ricos contra pobres ou de pessoas com alto grau de escolaridade contra pessoas de baixa escolaridade. Nitidamente há um elemento ideológico.

·         Prisão de Lula: A maior parte dos evangélicos concorda com a prisão de Lula.  O número de contrários é próximo ao número de intenções de voto direcionadas ao ex-presidente.

Contrário
Favorável
Indiferente
Não soube opinar
22,22%
51,30%
20,57%
5,91%

3.4 Escolha do candidato (câmara, senado, presidência)


Escolha do candidato
%
Indicação da Igreja/Pastor
19
4,49%
Indicação de amigos/familiares
36
8,51%
Outros
101
23,88%
Pela proximidade regional
11
2,60%
Pelo horário eleitoral
44
10,40%
Pelo Partido Político
14
3,31%
Se identifica com discurso/proposta
198
46,81%
(vazio)

0,00%
Total Geral
423
100,00%


Comentário do Prof. Leandro Ortunes: Diante deste cenário não podemos dizer que a escolha do candidato é imposto diretamente pela liderança religiosa, pois apenas 4,49% dizem escolher candidatos pela indicação da igreja e do pastor. No entanto, o discurso religioso das igrejas pode gerar indiretamente uma identificação com algum candidato (exemplo: o discurso conservador de Bolsonaro gera identificação com algumas lideranças evangélicas). Por isso, o fator religião pode ser importante na decisão do voto mas não é determinante.

3.5 É preferível que o próximo(a) presidente seja evangélico


É preferível que o próximo candidato seja evangélico?
Indiferente
173
40,90%
Não
138
32,62%
Não soube opinar
6
1,42%
Sim
106
25,06%
(vazio)

0,00%
Total Geral
423
100,00%

Comentário do Prof. Leandro Ortunes: Mesmo diante de todo apelo das lideranças evangélicas por um candidato evangélico, os entrevistados não preferem que o próximo presidente seja da mesma crença que eles.

3.6 Fonte de Informação Política


Fonte de Informação Política
%
Jornais impresso
14
3,31%
Jornais online (sites)
37
8,75%
rádio
18
4,26%
Redes sociais (Facebook, Twitter, blogs)
118
27,90%
TV
236
55,79%
Total Geral
423
100,00%





3)   Conservadorismo



Descriminalização do aborto
Contrário
197
46,57%
Favorável
55
13,00%
Favorável*
153
36,17%
Não soube opinar
18
4,26%
(vazio)
0,00%
Total Geral
423
100,00%

Comentário do Prof. Leandro Ortunes:  Por mais que boa parte das lideranças evangélicas preguem ser contrária ao aborto em qualquer situação, percebemos que a base religiosa tem abertura para esse tema, sendo 36,17% dos entrevistados favoráveis ao aborto em casos de violência sexual e risco de vida da mãe.
Redução da maioridade penal
Contrário
69
16,31%
Favorável
325
76,83%
Não soube opinar
29
6,86%
(vazio)
0,00%
Total Geral
423
100,00%


Pena de Morte
Contrário
199
47,04%
Favorável
153
36,17%
Indiferente
44
10,40%
Não soube opinar
27
6,38%
(vazio)
0,00%
Total Geral
423

Conceito de Família é somente a união entre homem e mulher?
Contrário
104
24,59%
Favorável
264
62,41%
Indiferente
50
11,82%
Não soube opinar
5
1,18%
(vazio)
0,00%
Total Geral
423

Casamento Homoafetivo
Contrário
249
58,87%
Favorável
106
25,06%
Não soube opinar
68
16,08%
(vazio)
0,00%
Total Geral
423

Comentário do Prof. Leandro Ortunes: Vale registrar que, sobre este tipo de casamento, há uma confusão no imaginário evangélico. Muitos acreditam que as igrejas serão obrigadas a celebrar o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo dentro de seus templos. Esse é um boato corriqueiro entre lideranças evangélicas. Poucos conseguem distinguir a união de efeito civil da religiosa.

4)   Identificação e Representatividade



Bancada Evangélica
%
Indiferente
77
18,20%
Não conhece
70
16,55%
Não representa
117
27,66%
Não soube opinar
37
8,75%
Representa
122
28,84%
(vazio)
0,00%
Total Geral
423



Comentário do Prof. Leandro Ortunes: A Bancada Evangélica possui baixo nível de representatividade, uma vez que 18,20% não a conhecem e 27,66% afirmam que não se sentem representados por ela. Esta posição gera um total de 45,86% contra apenas 28,84% que se sentem representados por ela. A Bancada, de fato, não representa seus fiéis, principalmente se compararmos os dados sobre pensamento conservador desta pesquisa (Aborto, redução da maior idade penal, casamento homoafetivo e conceito de família) com os posicionamentos da bancada na câmara. 


Identificação e Representatividade

Marco Feliciano
Silas Malafaia
Joaquim Barbosa
Sergio Moro
Pr. Everaldo
Não conhece
28,37%
23,17%
28,61%
17,73%
40,90%
Não representa
38,77%
37,35%
25,77%
24,35%
34,04%
Indiferente
17,49%
19,39%
16,08%
18,44%
15,13%
Representa
10,17%
10,87%
13,00%
14,42%
7,57%
Representa Muito
5,20%
9,22%
16,55%
25,06%
2,36%
(vazio)
0,00%
0,00%
0,00%
0,00%
0,00%
Total Geral
100,00%
100,00%
100,00%
100,00%
100,00%

Comentários do Prof. Leandro Ortunes: Novamente, vemos que a base religiosa não se sente representada por lideranças que se destacam na mídia ou na política. Os pastores Silas Malafaia, Marco Feliciano e Everaldo são os que menos representam os fiéis presentes na marcha. O índice de rejeição foi de 38% para o deputado e pastor Marco Feliciano (membro da Bancada Evangélica), 37,35% para Silas Malafaia e 34,04% para pastor Everaldo. Segundo os entrevistados são as figuras de Joaquim Barbosa e Sergio Moro que geram maior índice de identificação e representatividade. Se somadas as categorias “Representa” e “Representa muito” temos: Para Barbosa (29,55%) e para Moro (39,48%).
Os evangélicos da Marcha para Jesus seguem a mesma lógica do restante do país: um abandono da confiança nas instituições políticas e o depósito de fé em personagens-heróis midiatizados, construídos a partir de ações espetacularizadas do Poder Judiciário.
Neste caso, evangélicos rejeitam até mesmo os líderes que se julgam ser representantes do povo evangélico. Vale destacar que Silas Malafaia em entrevista informou que direcionaria 80% do voto evangélico para Bolsonaro, no entanto, com esse baixo índice de representatividade, é praticamente impossível ele conseguir isso, ou seja, Malafaia não tem poder para eleger ninguém, embora diga ter. 

5)   Discurso político:


O presidenciável Jair Bolsonaro discursou timidamente, entre vaias e aplausos.