terça-feira, 23 de setembro de 2014

Integrante do MIRE defende dissertação que relaciona religião e Folkcomunicação

Foto: Gilmar Caetano Tomáz
O integrante do MIRE Luiz Erlin Gomes Gordo defendeu no POSCOM da Universidade Metodista de São Paulo, neste 23 de setembro, a dissertação "Ex-votos midiáticos e a reconstrução da identidade da revista Ave Maria. A supressão dos ex-votos no início da década de 1970". O trabalho, orientado pelo Prof. José Marques de Mello, relaciona a teoria da Folkcomunicação, que estuda a comunicação popular, dos marginalizados, e inclui os ex-votos (oferta de objetos, cartas, fotografias e simulares de fieis ao seu santo de devoção, em consagração, renovação ou agradecimento de uma "graça alcançada") como forma de comunicação e veículo jornalístico. A reflexão mostrou como o processo como a revista da ordem dos claretianos no Brasil Ave Maria, editada desde o século XIX, reservava espaço para a comunicação devocional, com ênfase nos ex-votos, e deixa de fazê-lo seguindo nova linha editorial a partir dos anos 1970. A nova orientação editorial seguiu as mudanças proporcionadas na Igreja Católica pelo Concílio Vaticano II, a Conferência Episcopal de Medellin (1968) e a Teologia da Libertação emergente, que enfatizavam uma fé consciente frente à alienação das manifestações de religião popular. O autor mostra a crise que se seguiu, com a postura assumida, na relação com o público da revista.

O trabalho foi aprovado com nota 10. A banca foi formada pelas professoras Cristina Schmidt (Universidade de Mogi das Cruzes) e Magali Cunha (Metodista/MIRE).

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O corpo na relação mídia-religião. Saiba sobre a reunião do MIRE de 9 de setembro

Por  Patricia S. Machado e Renata Cardias. 

"A Nova Comunicação do Corpo Cristão: a transformação da imagem do corpo sagrado na mídia" foi o tema do encontro do grupo de Pesquisa MIRE – Mídia, Religião e Cultura, no dia 9 de Setembro. O conteúdo foi apresentado pela pesquisadora Paula Francisco Salles, que o defendeu em Dissertação de Mestrado aprovada na PUC-SP (clique aqui para ler).

Foto: Marcelo Figueiredo
A pesquisadora compartilhou com o grupo sua trajetória para o desenvolvimento da pesquisa, destacando principalmente algumas questões relevantes do corpo enquanto mídia, especificamente sobre o corpo religioso cristão que vem se transformando com a presença do protestantismo no Brasil, principalmente pelas denominações chamadas neopentecostais, nas últimas décadas. 

Nas igrejas evangélicas, a dança tornou-se uma prática comum, ocasionando a comunicação da nova imagem do corpo cristão também em uma perspectiva midiática dentro e fora da igreja. O seu estudo teve como fundamentação teórica a Teoria Corpomídia, de Helena Katz e Christiane Greiner, por abarcar a complexidade e os cruzamentos cognitivos, sociais, culturais considerando o corpo inacabado e em constante construção. Há uma troca de informações contínuas entre o corpo e o ambiente. Esta reciprocidade vai formando e transformando ontologicamente tanto o corpo como também o ambiente.

Outro aspecto de destaque na apresentação do trabalho foi compreender que a dança, no contexto das igrejas evangélicas, não é padronizada. Dependendo das denominações, a dança pode ser entendida como mediação do discurso (pano de fundo para a palavra) ou apenas utilizada enquanto instrumento de entretenimento. Após apresentar os vídeos dos grupos estudados para o seu estudo, foi interessante com os presentes.
Foto: Marcelo Figueiredo

Já na segunda etapa do encontro, a pauta foi sobre a participação do MIRE nos próximos eventos acadêmicos, destacando as mesas temáticas que serão apresentadas no Congresso Metodista que ocorrerá nos dias 22 e 23 de Outubro (mais informações em breve), assim como foram expostas as perspectivas de outros eventos para 2015 e o calendário dos próximos encontros do grupo de pesquisa (11 de novembro e 9 de dezembro). 


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Revista da UFPR publica artigos de integrantes do MIRE

O último número da Revista Relegens Thréskeia, coordenada pelo Núcleo Paranaense de Pesquisa em Religião – NUPPER, com apoio dos Programas de Pós-Graduação em História e em Geografia da Universidade Federal do Paraná, traz uma seção temática sobre "Mídia e Religião" sob a coordenação da Profa. Dra. Karina Belotti (Programa de Pós-Graduação em História da UFPR), integrante do MIRE. Três integrantes do MIRE participam com artigos nessa edição: a própria Profa. Karina Belotti, com "Surfando nas ondas do Senhor: juventude evangélica e mídia no Brasil (anos 2000-2010); a Profa. Magali do Nascimento Cunha, com "A interseção mídia religiosa e mercado e a ressignificação de signos bíblicos pelos evangélicos"; a Profa. Patrícia Garcia Costa, com  "Representação do feminino na mídia pentecostal: uma análise do discurso do quadro Abrindo o coração".

O NUPPER tem como meta garantir que a RELEGENS THRÉSKEIA tenha um caráter pluridisciplinar e se constitua num espaço para a divulgação do conhecimento produzido nas áreas da religião, das religiosidades, das instituições religiosas, tanto nacionais quanto internacionais, mantendo como principio fundamental a pluralidade do pensamento, das idéias e dos objetos de pesquisa. Os textos da última edição pode ser acessado em http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/relegens/issue/current

Revista Relegens Thréskeia
v. 3, n. 1 (2014)
Sumário

Editorial
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Editorial da Seção Temática (i-iv)
Karina Kosicki Bellotti

Seção Temática
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A INTERSEÇÃO MÍDIA RELIGIOSA E MERCADO E A RESSIGNIFICAÇÃO DE SIGNOS BÍBLICOS PELOS EVANGÉLICOS (01-23)
Magali do Nascimento Cunha
O “JEJUM DE DANIEL”: A DESINTOXICAÇÃO AUDIOVISUAL DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS SOB UM OLHAR FOUCAULTIANO (24-54)
Marina Fazani Manduchi
A REPRESENTAÇÃO DO FEMININO NA MÍDIA PENTECOSTAL: UMA ANÁLISE DE DISCURSO DO QUADRO ABRINDO O CORAÇÃO (55-79)
Patrícia Garcia Costa
REDEFINIÇÕES RELIGIOSAS DAS IGREJAS DOS ROQUEIROS E DOS SURFISTAS EM CURITIBA/PR (1990/2010) (80-99)
Maralice Maschio
SURFANDO NAS ONDAS DO SENHOR: JUVENTUDE EVANGÉLICA E MÍDIA NO BRASIL  (ANOS 2000-2010) (100-126)
Karina Kosicki Bellotti


Artigos
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O MAL, O DIABO E OS AGENTES ESVAZIADORES DO BEM NA DOUTRINA CATÓLICA (127-143)
Marco Antonio Marcon
TAI CHI CHUAN: O COMBATE AO DUALISMO PELA EXPERIÊNCIA MÍSTICA DO SAGRADO (144-161)
Michelle Suzana de Almeida Gabani
A ESPACIALIDADE RELIGIOSA DA IGREJA MADALENA SOFIA BARAT E SANTO EXPEDITO SOB A ÓTICA DA METODOLOGIA GOFFMANIANA (162-175)
Ana Helena Corrêa de Freitas Gil
ENTRE RELIGIÃO E POLÍTICA: DIVERGÊNCIAS NA RECEPÇÃO OCIDENTAL DE MIKHAIL BAKHTIN (176-190)
Daniel Jaccoud Ribeiro de Souza

Oficina trata comunicação e liturgia. Participante do MIRE é um dos tutores

"Liturgia em palavras e ações: um diálogo entre sentido e presença" é o tema da oficina de liturgia promovida pela Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção e pela Paulinas Livraria. Entre os tutores está o Prof. Dr. Marcelo Furlin, participante do MIRE, professor da Faculdade de Humanidades da Metodista. A oficina acontecerá no espaço da Livraria Paulinas (Vila Mariana) no sábado, 13 de setembro.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PRÓXIMA REUNIÃO DO MIRE: 9 DE SETEMBRO


Próxima reunião do MIRE se aproxima: 9 de setembro, terça, das 14 às 17h, na Metodista, Ed. Capa, sala 316. Teremos como convidada a Profa. Paula Francisco Salles, que apresentará sua pesquisa de Mestrado na PUC-SP "A Nova Comunicação do Corpo Cristão: a transformação da imagem do corpo sagrado na mídia". A dissertação da Paula já está postada no blog do MIRE. Para acessar, clique aqui.

Haverá transmissão ao vivo com possibilidade de interação pelo Collaborate. Interessados em participar por meio dessa modalidade, façam contato com a coordenação do MIRE: magali.cunha@metodista.br

Na segunda etapa da reunião, vamos dialogar sobre nossa participação no Congresso Metodista com mesas e trabalhos individuais e em possíveis outras atividades científicas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Mídia, Religião e Cultura: temas e rumos da área de pesquisa incluem perspectiva latino-americana em conferência internacional

Por Alexandra Gonzalez e Priscila Vieira

A conferência da Sociedade Internacional para Mídia, Religião e Cultura proporcionou o encontro de pesquisadores de dezenas de países de todos os continentes, durante os dias 4 a 7 de agosto, em Canterbury, Inglaterra (foto). Foram apresentados 145 trabalhos de pesquisadores das áreas do jornalismo, publicidade, teologia, letras, web design, além de painéis e palestras. O evento foi pautado pela preocupação em analisar o campo em formação e definir temas relevantes para a atualidade e rumos para as pesquisas a serem desenvolvidas no âmbito da religião, cultura e mídia. Nesse sentido, um dos pontos altos do encontro foi o painel “Reflexões críticas no campo de Mídia, Religião e Cultura”, que propôs questões a cinco pesquisadores de nacionalidades diferentes e campos de origem diversos.

No relato apresentado a seguir, destacamos a fala da Profa. Dra. Magali do Nascimento Cunha, da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e sua apresentação do campo na América Latina e especificamente no Brasil. A escolha deve-se ao fato de que o trabalho apresentado mapeia pontos importantes do campo na realidade nacional e sul-americana, em uma sistematização relevante tanto para o diálogo aberto, no evento, com pesquisadores de outras partes do mundo quanto para a reflexão necessária dos desafios presentes em nosso cotidiano.






Estado do campo

A primeira questão colocada no painel era sobre “o estado atual do campo” e, a partir da realidade latino-americana, a resposta de Magali enfatizou a herança positivista presente especialmente na academia brasileira e outros países do continente, que minimiza a pesquisa em religião, especialmente se fora da sociologia e da antropologia. Apesar das dificuldades, o número de trabalhos em mídia e religião emergiram nas últimas décadas. As reflexões são especialmente sobre produção religiosa de mídia eletrônica, sendo que nos últimos anos apareceram abordagens de estudos de recepção e representações da religião em produções não religiosas. E, ainda mais recentemente, é possível encontrar estudos sobre a presença da religião na internet.

Ainda em busca de mapear o campo, Magali apontou duas lacunas que também são desafios para os estudos na área. A primeira é a falta de trabalhos que enfoquem religiosidades fora da matriz cristã, especialmente o espiritismo e as vertentes afro-brasileiras. Segundo ela, são “dois grupos intensamente presentes em diversos processos comunicacionais, mediáticos ou não, e que têm sido esquecidos pelos estudos de mídia, religião e cultura”. A segunda lacuna está relacionada ao que a professora chamou de “midiacentrismo na maioria dos estudos disponíveis”. Assim, falta no campo o reconhecimento das mediações culturais de processos comunicacionais, o que pode abrir novas e variadas possibilidades de estudos, como os discursos para além da mídia eletrônica, que perpassam música, atitudes, arquitetura, mídia alternativa e popular, representações simbólicas – sejam visuais ou rituais. Ainda outra questão desafiadora abordada é a internacionalização da pesquisa latino-americana. Em âmbito internacional a língua principal é o inglês, o que dificulta os intercâmbios com as produções em português e espanhol. “Há necessidade de melhorar a troca entre sul e norte. Por exemplo, o primeiro artigo de Stewart Hoover em português foi publicado este ano pela revista Comunicação & Sociedade, da Universidade Metodista de São Paulo (“Mídia e religião: premissas e implicações para os campos acadêmico e midiático” acesse aqui). Precisamos encontrar caminhos de superar esse desafio e não nos acomodarmos à língua”, afirmou Magali (no centro da foto do painel).


Questões relevantes

A segunda questão enfrentada no painel solicitava a identificação das “questões preeminentes para lidar no momento”. Nesse quesito, dois principais aspectos foram destacados, ambos relacionados às relações entre religião e esfera pública. O primeiro é o crescimento do pentecostalismo e decrescimento do catolicismo no Brasil, que gera mudanças visíveis nas disputas de poder, nas representações midiáticas, especialmente de pentecostais na política. A candidatura a presidente de um pastor da Assembleia de Deus exemplifica a complexidade do fenômeno, que precisa ser enfrentado em sua complexidade, como uma dinâmica sócio-cultural própria. O segundo aspecto é a emergência de discursos evangélicos conservadores, que chegam à esfera pública em questões como os direitos de mulheres e homossexuais, em conclamações para o trabalho de “salvar a família” e outras justificativas feitas à base de frases de efeito.

Sugestões práticas e provocações 

Por fim, a terceira questão solicitava aos painelistas que apresentassem ideias e provocações sobre formas de lidar com as questões levantadas. A pesquisadora Magali, responsável por levar a perspectiva de sua região, colocou dessa ver três possibilidades de ação. Uma delas seria política, que passa pela articulação das pessoas envolvidas no campo, para fortalecer os espaços de trabalho e conseguir financiamento para pesquisas. O MIRE – grupo de pesquisa em Mídia e Religião, recém criado e registrado no CNPq -, é fruto desse tipo de demanda. A segunda, na área da reflexão e estudo, é a necessidade de romper com a compreensão de que a religião tem um impacto sobre a cultura ou a cultura sobre a mídia e a religião. Ao invés de pensar em termos de impacto, compreender erupções, explosões, fenômenos que emergem na dinâmica social e se alimentam da interação entre mídia, religião e cultura. Finalmente, Magali destacou a necessidade, especialmente no Brasil, de que os pesquisadores superem as abordagens moralista ou dualista dos fenômenos que envolvem mídia e religião, pensando em termos de manipulação dos símbolos sagrados e da boa vontade das pessoas. Esse tipo de postura, em pesquisadores “colocam-se na posição de guardiões da boa religião ou da boa mídia”, impede a compreensão de dinâmicas sociais complexas.

De forma geral, os pesquisadores concordaram sobre a marginalidade do campo, inerentemente de intersecção e interdisciplinar, em relação às outras áreas de conhecimento. Houve consenso também sobre a necessidade de promover novas compreensões da religião, adequadas às expressões contemporâneas do fenômeno. As noções de mediação e mediatização, como destacado por Morgan, também foram ponto de convergência, enquanto temas teóricos fundamentais para o campo que necessitam de maior e mais profunda atenção. A relevância desses temas abre um importante espaço para pesquisadores da América Latina, que trabalham com esse escopo teórico há anos, especialmente pela influência do trabalho de Jesús Martin-Barbeiro.

Outras perspectivas

O norte-americano David Morgan enfatizou a necessidade de revisar o que a área já construiu, em busca de perceber o que foi perdido e direcionar, assim, novos engajamentos. Ele ainda assinalou a necessidade de pensar uma nova teorização da religião, a partir das mudanças em vigor na atualidade. O pesquisador apontou para as noções de mediatização e mediação como possibilidades teóricas de compreensão, que podem trazer avanços para o campo e, em termos práticos, apontou para a necessidade de “incluir outros na conversação, talvez através de fundos para traduzir trabalhos de outras partes do mundo, compartilhar fontes e bibliografia”. Afinal, durante essa conferência, a maioria dos participantes era oriunda da Europa ou dos Estados Unidos, com uma forte influência das questões levantadas em países anglo-saxões. Embora houvesse participantes da África, Ásia e Oceania, a presença de latinos restringiu-se a três palestrantes, que mostraram uma realidade bastante diversa daquela enfatizada na maior parte dos painéis.

Destaca-se ainda a participação da finlandesa Johanna Sumiala, que levou ao plenário a perspectiva dos estudos de mídia e destacou que os temas referentes à religião ainda são marginais. “Há um abismo entre estudos de religião e estudos de mídia, sendo que pesquisadores do campo da religião estão mais interessados na mídia do que o contrário”, afirmou. Para ela, um dos temas desafiadores são as relações global-local, as perspectivas transnacionais e como esses aspectos afetam as interações entre mídia e religião. 

Pesquisadores desafiados à “sensibilidade historicista” 



“Eu quero nos desafiar a um grande senso de historicismo em nosso trabalho”, afirmou em sua palestra o então presidente da Sociedade Internacional para Mídia, Religião e Cultura, Stewart Hoover (foto). Considerado um dos fundadores do campo de intersecção entre mídia e religião, Hoover apontou como as pesquisas na área moveram-se de uma visão instrumentalista de mídia e religião, focada nos efeitos de um sobre o outro para “mais sofisticadas compreensões”, como a prática e a materialidade e o que é produzido através de mediações do religioso. Assim, uma possível definição para o objeto de estudo do campo seria a mediação cultura da religião e a proposta de abordagem, histórica.

Para Hoover, o historicismo pode trazer ao menos três benefícios para o campo. O primeiro é ajudar a corrigir o ‘presentismo’ existente na área. Essa percepção é válida para os trabalhos desenvolvidos no Brasil. Uma breve pesquisa em bancos de teses e dissertações revela a ausência de abordagens e temáticas históricas nas pesquisas de mídia e religião, o que também pode ser averiguado em textos de revisão de campo, também na área de mídia e história[1].

O segundo benefício seria o enriquecimento das narrativas dos trabalhos, no sentido de que a abordagem historicista contribui com a desconstrução e crítica das narrativas recebidas de antemão e que aspiram definir a extensão e os limites do campo. Sobre este ponto, ele enfatizou o quanto “nós estamos sujeitos a uma grande, difusa e ampla narrativa da religião que é um legado do Iluminismo no Ocidente Norte Atlântico”. O problema dessas narrativas, que tocam temas como modernidade, tradição e outros, é a presença subterrânea da ideia que existe algo puramente “religioso” que é ‘ameaçado’ pela modernidade – o que pode ser bom ou ruim, dependendo da perspectiva adotada.

A aproximação historicista dos objetos de mídia e religião teria, então, a intenção de desconstruir essas narrativas e revelar compreensões de foçar históricas, culturais e sociais mais profundas. Nesse sentido, um caminho proposto é o de pensar resistências e interações entre os modelos considerados influentes – como a mídia norte-americana – e as regiões normalmente identificadas como ‘influenciadas’. No entanto, a ênfase seria as transformações e apropriações ocorridas no trânsito. Nesse ponto, ele citou o trabalho de Leonildo Campos, professor da Universidade Metodista de São Paulo, sobre o quadro “Os dois Caminhos” e sua ampla difusão entre protestantes no Brasil, especialmente na primeira metade do século XX [2]. “Nossas lentes historicistas poderiam perguntar como esta imagem, nem tão conhecida ou particularmente proeminente em seus países de origem, chegou a alcançar tal destaque em sua recepção em outro país”, questionou Hoover.

Finalmente, o terceiro benefício seria o alargamento da gama de fenômenos que podem ser contemplados quando procura-se compreender e construir conhecimento sobre a mediação do religioso. Nesse ponto, o pesquisador destacou a necessidade de pensar e estabelecer a religião como um “fenômeno cultural e social único” através da materialidade e da historicidade em detrimento das abordagens confessionais ou teológicas. A questão seria ainda romper com a noção purista de ‘religião’, que pouco contribui com a compreensão especialmente das questões contemporâneas.

A apresentação de Stewart Hoover está disponível integralmente, em inglês, no site do Center for Media, Religion and Culture: http://cmrc.colorado.edu/

Priscila Vieira é Doutora em Comunicação e Cultura pela ECO (UFRJ) e Alexandra Gonsalez é Doutoranda em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Ambas integram o MIRE - Grupo de Pesquisa Mídia, Religião e Cultura. Fotos: Adam  T. Shreve.

MIRE na IX Eclesiocom, Londrina, 21 de agosto

A IX Eclesiocom aconteceu neste 21 de agosto e foi um sucesso. As conferências geraram ótima reflexão. Os GTs com 33 trabalhos revelaram ótima qualidade. A Universidade Estadual de Londrina (UEL) ofereceu belo acolhimento, ótima estrutura e excelente organização. O MIRE esteve presente com a conferência da Profa. Magali Cunha (Foto/Maria Tereza Mazziero) e seis comunicações em GTs. 
Clique aqui para acessar os Anais da IX Eclesiocom. 
Assista aqui à matéria sobre o evento produzida pela TV UEL.