quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Quem transforma quem? Pesquisadores do MIRE discutem sobre a dupla dinâmica de afetação entre os campos midiático e religioso

Por Jenifer Rosa

A despeito das opiniões fatalistas que previam a morte da religião, os pesquisadores integrantes do MIRE se reuniram mais uma vez hoje, dia 12, para discutir a atuação do campo religioso no mundo contemporâneo. O encontro foi orientado pelas reflexões teóricas de Stewart Hoover em seu texto “Mídia e religião: premissas e implicações para os campos acadêmico e midiático” (acesse aqui) publicado na mais recente edição da revista Comunicação & Sociedade, do Programa de Pós-Graduação da Universidade Metodista de São Paulo (Pós-Com/UMESP). Os participantes foram instigados a debater sobre o movimento de dupla transformação que ocorre quando mídia e religião se aproximam.

No primeiro momento do encontro, a jornalista e doutoranda do Pós-Com/UMESP Alexandra Gonzalez apresentou um panorama das principais ideias trabalhadas pelo autor no texto citado. A pesquisadora ilustrou a discussão trazida pelo autor com alguns casos que mostram como o campo religioso se utiliza da mídia em suas dinâmicas de interação com os fiéis, como o uso das redes sociais por lideranças religiosas, por exemplo.

Na sequência, o doutor em Comunicação e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Midiática da Universidade Paulista Jorge Miklos, também tendo por base a discussão proposta por Hoover, chamou a atenção dos presentes para a presença do discurso religioso em situações que não pertencem a este campo, mostrando como a religião também influencia as experimentações das outras esferas. Para ilustrar sua fala, o pesquisador comentou sobre o processo de ‘sacralização’ que ocorre com algumas marcas, a exemplo da Apple, que em sua narrativa incorpora elementos do mundo mítico como o mártir, a catarse coletiva, etc, promovendo um reencantamento do mundo por meio da tecnologia.

Após as apresentações, os presentes puderam debater um pouco mais sobre a temática proposta e lançar novas reflexões. Como lembrou a coordenadora do MIRE e professora do Pós-Com/UMESP Magali Cunha, se por um lado a mídia transforma a religião ao oferecer novos formatos aos rituais, por exemplo, por outro lado, a religião transforma a mídia ao pautar seus conteúdos, como aconteceu na Rede Globo, que teve sua grade de programação alterada por ocasião da visita do Papa ao Brasil, deixando de exibir a novela, um de seus principais produtos.

Pelo debate, o que se conclui é que o processo de secularização do mundo moderno não significa "a morte da religião", pois o que está em crise é a religião instituída e seus líderes, mas a busca dos sujeitos pelo sagrado continua. A mídia se coloca como uma forma de combinar os elementos da tradição com os elementos da modernidade para produzir novos significados religiosos e, portanto, deve-se levar em conta as apropriações e ressignificações que os fiéis fazem a partir dos produtos que a mídia divulga.

Articulações para disseminação

Na parte final do encontro, os participantes discutiram formas de socializar os conteúdos das pesquisas e reflexões na interface mídia-religião-cultura.

O prof. Jorge Miklos compartilhou a organização do GT sobre comunicação e religião, liderado por ele e a profa. Malena Contrera  (UNIP), no VII Congresso Internacional em Ciências da Religião ocorrido na PUC de Goiás em abril. Ele apresentou aos participantes o livro do evento “A religião entre o espetáculo e a intimidade”, organizado por Alberto da Silva Moreira, Carolina Teles Lemos e Eduardo Gusmão de Quadros, que reúne diversos artigos sobre a temática Mídia e Religião.

O MIRE estará presente com trabalhos nos GTs e na conferência central da IX Eclesiocom (Conferência Brasileira de Comunicação Eclesial) que acontece em Universidade Estadual de Londrina, neste 21 de agosto (saiba mais aqui). E também com apresentações de comunicações no Congresso da Intercom, Unicentro, Foz do Iguaçu, 2 a 5 de setembro (mais aqui), quando se espera articular a criação de um GT sobre mídia e religião, processo liderado pelos pesquisadores José Guibson Dantas (Universidade Federal de Alagoas) e Karla Patriota, da Universidade Federal de Pernambuco.

O grupo também articulou participação no Congresso Metodista que acontece em 22 e 23 de outubro (saiba mais aqui) por meio de mesas multidisciplinares e trabalhos individuais.

MIRE ONLINE: Este encontro contou com uma novidade: a reunião foi transmitida via internet para aqueles que não puderam estar presentes, com possibilidades de interação. Se você, pesquisador de qualquer área, se interessa pela temática Mídia e Religião e deseja participar virtualmente de nossos encontros, entre em contato:
E-mail: mirepesquisa@gmail.com.
No Facebook: https://www.facebook.com/gpmire

Será um prazer tê-la/o conosco!

Fotos: Patrícia Garcia Costa

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

“O ‘virtual’ é real”. Cultura digital e evangelização

Entrevista especial com Moisés Sbardelotto, pelo IHU

“As redes sociais digitais, como ambientes de construção da vida social, podem ser também ambientes de testemunho cristão a partir da nossa própria presença, que deve expressar ‘o que somos e aquilo em que acreditamos’”, afirma o pesquisador.


A cultura do encontro e o testemunho. Essas são as bases que devem nortear a comunicação na Igreja, que tem não somente a intenção de comunicar, mas a prioridade de evangelizar. Num contexto desafiante de transcender o “marketing religioso”, ainda mais excessivo na era digital, é preciso “passar de uma comunicação meramente informativa para uma comunicação performativa, que não apenas transmita dados e informações, mas que promova o Encontro maiúsculo, a experiência de uma Mensagem maiúscula, que vai muito além do mero conteúdo transmitido”, assinala Moisés Sbardelotto, mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, à IHU On-Line.

Membro da Comissão Especial para o Diretório de Comunicação para a Igreja no Brasil, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, Moisés Sbardelotto participou do 4º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação e do 2º Seminário Nacional de Jovens Comunicadores, realizados em Aparecida, São Paulo, no mês passado.

Segundo ele, os eventos tiveram o “desafio de entender a autêntica evangelização, em primeiro lugar, como testemunho”. Nessa perspectiva, enfatiza, “a ‘cultura do encontro’ é uma ideia-chave do papado de Francisco”, e antes de ser definida conceitualmente, ela “pode ser vista em construção nos próprios gestos do papa, no seu reconhecimento do outro, na sua abertura ao diferente. Foi assim no seu primeiro gesto, a inclinação diante de um grande ‘outro’, o povo de Deus reunido na Praça de São Pedro. Mas também nos seus inúmeros encontros, como com os jovens presos no Lava-Pés, com os imigrantes de Lampedusa, com os doentes, na expressão máxima do abraço em Vinicio Riva, o homem que sofre de neurofibromatose, com os líderes religiosos de outras confissões, como no recente encontro com o pastor Giovanni Traettino, o primeiro encontro de um pontífice com um expoente do pentecostalismo”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Sbardelotto chama a atenção para a confusão entre o que significa evangelizar e fazer proselitismo com a mensagem cristã. Sobre essa questão, a crítica do pesquisador é pontual: “Acaba-se confundindo a ação evangelizadora com práticas de um ‘mercado de bens religiosos’, marcado pela ‘concorrência religiosa’, pelas ‘ações de marketing religioso’, pela ‘fidelização’ de novos ‘adeptos’, pela busca de ‘visibilidade positiva’ e de ‘aumento de popularidade’ da Igreja e das suas lideranças. Como álibi, até se costuma dizer que o próprio Jesus foi ‘o maior marqueteiro da história’, e a cruz — de ‘escândalo para os judeus e loucura para os pagãos’ (1Cor 1, 23) — se converte no ‘maior logotipo que conhecemos na história’... Como diz o Papa Francisco, mesmo com ‘aparências de religiosidade e até mesmo de amor à Igreja’, busca-se, no fundo, ‘a glória humana e o bem-estar pessoal’ (Evangelii gaudium, n. 93)”.

Autor de E o Verbo se fez bit: A comunicação e a experiência religiosas na internet (Editora Santuário, 2012), Moisés Sbardelotto pesquisa a interface mídia e religião no ambiente digital, a qual tem em sua centralidade o conceito de ciberteologia. Para ele, o conceito tem, como “maior desafio”, “explicitar com clareza reflexiva qual a diferença que o prefixo ‘ciber’ traz à teologia”, porque “do ponto de vista teológico, um primeiro risco é o de pensar Deus e a experiência cristã no tempo da rede a partir do ‘impacto’ e da ‘influência’ dos aparatos tecnológicos e das tecnologias digitais, entendidos como dominação do digital sobre o religioso e o teológico. (...) O desafio da teologia é pensar Deus em meio às mediações humanas, como a cultura digital, em suas luzes e sombras. Como pensar tal interface sem cair em uma mera ‘ciberidolatria’ patrocinada pela Apple, Google e afins?” Para ele, a relação entre teologia e comunicação, ou a comunicação realizada na Igreja, devem ser permeadas por um “problema de fundo”: “Como ‘pensar e viver Deus’ na cultura digital na sua densidade fenomênica, para além do mero âmbito maquinal de telas, teclas, bits e chips”.

Moisés Sbardelotto é jornalista graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos.

Sbardelotto publicou nos Cadernos Teologia Pública, nº. 70, Deus digital, religiosidade online, fiel conectado: Estudos sobre religião e internet, e nos Cadernos IHU, nº. 35, "E o Verbo se fez bit". Uma análise da experiência religiosa na internet.

Confira a entrevista aqui.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

MIRE estará presente na Conferência da Sociedade Internacional Midia, Religião e Cultura

De 4 a 6 de agosto de 2014 será realizada a Conferência da Sociedade Internacional Mídia, Religião e Cultural, que acontece a cada dois anos desde 1994. Esta edição é promovida pela Universidade de Cantebury, na Inglaterra.

O MIRE estará representado pela coordenadora Profa. Magali do Nascimento Cunha, que integra a diretoria da sociedade e apresentará uma comunicação, participará de um dos painéis e ainda contribuirá com a pós-conferência, em 7 de agosto, que terá o tema "Mediação e Midiatização da Religião". Também será participante a doutoranda do Poscom/Metodista, integrante do MIRE Alexandra Gonsalez.

Os detalhes da Conferência podem ser conhecidos em http://www.kent.ac.uk/secl/thrs/events/event2014-08-06.html

Conferência aconteceu na Metodista em 2008

A Conferência Mídia, Religião e Cultura foi promovida, em agosto de 2008, na Universidade Metodista de São Paulo, dirigida pela Profa. Magali do Nascimento Cunha, com o apoio de vários segmentos da Metodista:  Faculdade de Comunicação, da Faculdade de Teologia, dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação Social e Ciências da Religião, da Cátedra Unesco de Comunicação. A palestra de abertura foi proferida pelo ganhador do Prêmio Nobel da Paz o argentino Adolfo Perez Esquivel. Uma parte da memória desse evento que reuniu 210 pesquisadores de todos os continentes pode ser encontrada em http://portal.meto
dista.br/ev/conferencia/6a-conferencia-midia-religiao-e-cultura/

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Mais recente número da Revista Horizonte (PUC-MG) traz dossiê "Religião, Mercado e Mídia"

Capa da revistaReligião, Mercado e Mídia é o título do dossiê do número 34 da revista Horizonte do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC-MG. São sete artigos:
Mercado religioso e mercado como religião, de Jung Mo Sung; A sacralidade invisível do mercado, de
Pedro Assis Ribeiro de Oliveira; Os “Dois Caminhos”: Observações sobre uma gravura protestante, de
Leonildo Silveira Campos; Entre a cruz e a espada: religião no mundo da tecnociência, do mercado e da mídia, de Sinivaldo Silva Tavares; Evangelização, mídia e marketing: provocações ao debate, de Afonso Tadeu Murad; A Assembleia de Deus nos anos 1990: a "Década da Colheita", de Jérri Roberto Marin; Arena simbólica: a relação entre religião e violência a partir do caso da igreja Assembleia de Deus dos Últimos dias, de Ricardo Bitun. O editorial é da coordenadora do MIRE, Magali do Nascimento Cunha.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Para ampliar as pesquisas: Orixás transformam-se em super-heróis no primeiro filme africano do gênero


Cena do filme que retrata orixás como super-heróis
Foto: Divulgação

A humanidade caminha para a autodestruição e somente um super-herói com poderes divinos pode salvá-la. O enredo que poderia ser visto em qualquer filme do Thor, Hércules ou até Cavaleiros do Zodíaco, terá uma versão africana com os orixás como protagonistas.

"Oya - Rise Of the Superorisha" (Oya - A ascensão do superorixá, em tradução livre) será o primeiro filme de super-herói africano e contará a história de Oya, a única deusa orixá que ainda possui vínculos com os humanos mesmo quando a maioria da humanidade já abandonou o culto aos orixás.

Baseado na crença Santeria (que possui muitos aspectos da religião católica e do candomblé), o filme nigeriano foi escrito e está sendo dirigido por Nosa Igbinedion. No filme, a missão de Oya é encontrar uma garota capaz de abrir o portão entre os humanos e os orixás para que o mundo não caia em desgraça mas uma série de inimigos, que usam a religião de forma deturpada, tentam interromper os planos de Oya.

“'Oya - Rise Of the Superorisha' é mais do que um filme é um movimento! Nosso objetivo é empurrar os limites dos filmes africanos e contar novas histórias. Que melhor maneira de fazer isso do que fazendo um filme de super-herói africano!”, afirma o anúncio no site oficial.

O filme só teve suas produções iniciadas devido uma “vaquinha virtual” feita a partir de divulgação na página do Facebook e do Twitter e ainda não possui data oficial para exibição. Assista aqui o trailer do filme.


Fonte: O Globo 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Próxima reunião do MIRE: encontro de estudo


A próxima reunião do MIRE acontecerá em 12 de agosto, terça, das 14 às 17h no Campus Rudge Ramos da  Universidade Metodista de São Paulo. Será o primeiro encontro de estudo, que terá por base o texto de Stewart Hoover (foto) publicado no mais recente número da revista Comunicação & Sociedade: "Mídia e religião: premissas e implicações para os campos acadêmico e midiático". No texto, o estudioso que é referência internacional para a temática, afirma que as previsões de que a religião desapareceria da vida moderna podem ser dadas como mortas, pois a religião, na era global, ganhou novo perfil e destaque. Hoover reconhece que eventos que mudaram o mundo em anos recentes têm pelo menos algumas de suas origens na religião, e por meio de uma ampla variedade de contextos, questões e processos históricos a religião persiste e até mesmo domina. Para ele, as maiores questões e tendências religiosas tão importantes hoje não podem ser plenamente abordadas e compreendidas sem atenção às mídias.  Na verdade, tais tendências estão enraizadas nas mídias de importantes formas. As mídias são uma fonte de informação sobre as religiões, sobre as tendências religiosas e sobre as ideias religiosas. A religião está cada vez mais presente no noticiário, no entretenimento e na cultura popular. O texto de Stewart Hoover traz uma reflexão sobre esta realidade e enfatiza premissas e implicações dela tanto para o campo acadêmico quanto para o midiático com vistas a futuras pesquisas e práticas. O texto está disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/CSO/article/view/4906/4205.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

MIRE tem primeiro encontro para socialização de pesquisas: bancas de qualificação de Mestrado simuladas

Uma das atividades do MIRE são as reuniões para compartilhamento de pesquisas e entre elas as "bancas simuladas" para pesquisadores/as em processo de qualificação de seus projetos de Mestrado e Doutorado. Em 27 de maio foram realizadas duas bancas simuladas com os colegas Gilmar Caetano Tomaz e Maria Tereza Mazzieiro, ambos integrantes do MIRE. Foi um processo significativo em que às/os presentes à banca simulada atuam como interlocutores para oferecer contribuições aos colegas.

As pesquisas apresentadas foram:
  • Gilmar Caetano Tomaz: "As Assembleias de Deus brasileiras e a televisão: uma abordagem acerca da proibição, aceitabilidade e uso da televisão dentro das Assembleias de Deus (1968-1996)". 
  • Maria Tereza Mazzieiro (não tem um projeto relacionado diretamente a comunicação e religião mas a comunicação e cultura, ainda assim participou com a sua "banca simulada" via MIRE do qual ela é integrante): "Construções imaginárias femininas a partir do discurso de um fenômeno musical de massa: o caso do cantor Michel Teló".


Aqui, duas fotos do momento incluindo os fotógrafos.